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Sobre a formação psicanalítica

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Por MARLY TERRA VERDI
Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo
Membro do Grupo de Estudos de Psicanálise de São José do Rio Preto e Região

                                “Não busque por enquanto respostas que não lhe podem

                                 ser dadas, porque não as poderia viver.

                                Viva por enquanto as perguntas. Talvez depois, aos 

                                poucos, sem que o perceba, num dia longínquo, consiga 

                                viver as respostas."

                                                                                                                       Rainer Maria Rilke

 

A formação requer do aprendiz, ou seja, daquele que busca se formar um psicanalista, gostar de perguntar-se sobre si, sobre a mente humana e sobre aquilo que está além: o impalpável, o às vezes inteligível, ou o indizível.  Aprender a suportar as dúvidas e as incertezas.

É disso que se trata o fato de começarmos a formação pela análise didática, nesta encontrar-se quatro vezes por semana, durante cinco anos no mínimo, com você mesmo através do encontro com seu/sua analista. Em tal processo, você poderá vivenciar estes aspectos, ou seja, suportar dúvidas e frustrações, maiores instrumentos mentais para seu trabalho com seus próprios pacientes.

Continua Rilke: “...Desejo que encontre bastante paciência em si para suportar e bastante simplicidade para crer; que confie cada vez mais no que é difícil, entre outras coisas na sua solidão. No restante deixe a vida acontecer. Acredite-me: a vida tem razão em todos os casos. Toda dúvida pode se tornar uma qualidade se a educarmos.”      

Por que chamamos formação esta educação que se recebe nos Institutos de Psicanálise? Porque este conhecimento é para torná-lo seu, transformando as aprendizagens em algo que  se tornará parte daquilo que te forma e dá forma. Nosso conhecimento das teorias psicanalíticas deve fazer parte de nós, como as palavras que usamos todo o tempo. As teorias devem ser algo de profundo sentido. Depois da formação, ao sentirmos na clínica aquilo que os pacientes nos comunicam, as teorias não serão mais teorias, mas palavras naturais que virão para serem passadas ao outro, numa conversa agora dentro da história vivida naquela análise sua com seu paciente.

Por isto a expressão formação faz também profundo sentido, as pessoas estudarão durante quatro anos as teorias e descobrirão sua identificação com os autores. Farão análise e viverão uma profunda relação com seus analistas, farão duas supervisões e aprenderão com seus supervisores outras perspectivas, ângulos diversos e sentidos da teoria nas vivencias com seus pacientes.

Além disto viverão um relacionamento institucional onde descobrirão o sentido de compartilhar aprendizagens, descobertas e capacidades mútuas que muito poderão enriquecer a compreensão da psicanálise que se aplica a vários campos do saber e da experiência, a clínica seu berço, mas também sua aplicação no campo da compreensão dos grupos em todas as suas dimensões: a família, e a comunidade, a começar desta pequena comunidade que é a própria instituição psicanalítica e suas vertentes, outra Sociedades, Federações e por fim a  IPA, que nos agrega e que organiza as práticas psicanalíticas em todo o mundo.

Se vocês, médicos e psicólogos, tem gosto pelo conhecimento de si e da mente humana, venham participar desta comunidade psicanalítica que somos nós, o GEP de São José do Rio Preto e Região, e se formar psicanalistas.

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